janeiro 17, 2004

Outro disco...

Ouço atentamente outro disco do Frank Zappa:

Burnt Weeny Sandwich

Este disco do Zappa é bastante interessante. Admito que de difícil audição para algumas pessoas, devido ao seu carácter clássico, no entanto a arte do FZ está bem patente no Burnt Weeny Sandwich. Trata-se de um álbum onde se cruzam vários estilos: sonoridades clássicas contemporâneas, um pouco dissonantes às vezes, jazz, rock, doo-woop, etc…

- O disco começa e acaba com dois covers bastante hilariantes – “WPJL” e “Valarie” – de duas bandas doo-woop: "Four Deuces" e "Jackie and The Starlites".

- Em “Igor’s Boogie, Phase One” e “Igor’s Boogie, Phase Two” – dois pedaços de música com 30 segundos cada uma – nota-se a influência que a música clássica teve no F. Zappa. Dois pequenos instrumentais, aqui e ali um pouco dissonantes, um pouco à Stravinsky!

- “Overture To A Holiday In Berlin” e “Holiday in Berlin, Full-Blown” são dois instrumentais belíssimos, onde a melodia fica, desde logo, cravada nos ouvidos. Ambas têm sonoridades muito originais, conseguidas através de instrumentos de sopro em constante contraponto e um harpsichord, no caso da primeira. Na segunda, bastante jazzy no início, destaco os solos dos instrumentos de sopro e o fantástico solo de guitarra, mais para o fim – um dos mais bonitos solos do Zappa.

- “Theme From Burnt Weeny Sandwich” – alguns minutos de descontracção e improvisação na guitarra – e pequenas brincadeiras com os instrumentos de percussão!

Chegamos ao instrumental “AYBE SEA” – eu adoro esta música. É daquelas em que basta uma audição para ficarmos apaixonados. E é um instrumental bastante simples. Mas aquela melodia inicial, aquele ritmo bastante balançado, aquele wah-wah ondulante, a guitarra acústica que surge com pequenos apontamentos melódicos, junto com o piano bastante ornamentado. Aquele final lindíssimo, só com piano, afastando-se suavemente… Bem, é de uma simplicidade estonteante, o que me faz ficar apaixonado!... São 3 minutos de prazer bastante emocional!

“The Little House I Used To Live In” - a obra central deste disco. Uma suite de jazz e rock. São 15, 20 minutos musicalmente bastante energéticos, onde a originalidade transpira a cada minuto que passa. Grandes solos (todos eles geniais) de trompete, saxofone, guitarra, e um grande solo rock de violino! Etc, Etc, Etc … Sem dúvida - um disco soberbo e único.

Publicado por David em janeiro 17, 2004 01:03 PM
Comentários