Nick Cave - NO MORE SHALL WE PART - 2001
Bastou uma audição do No More Shall We Part para perceber que estava perante um daqueles discos especiais e únicos, que andam sempre comigo e que guardo naquele lugar especial, juntamente com os outros discos que amo. Rapidamente me apaixonei pela maior parte das canções contidas neste álbum. São baladas perfeitas, calmas, agitadas, lúcidas e com um espírito bastante original e peculiar. Letras fabulosas.
E nem quero discutir com os fãs do Nick Cave se estamos perante o pior ou melhor álbum dele. Interessa-me, única e simplesmente, o facto de apreciar imenso este álbum, e de ter, quase de certeza, as mais belas baladas feitas pelo enigmático Nick Cave.
1) As I Sat Sadly By Her Side – A introdução com a guitarra a definir o ritmo de toda a canção. A entrada do baixo com o sussurrar do violino. A bateria juntamente com o riff do piano, este que irá estabelecer a ligação entre todas as estrofes e momentos da história (a melodia simples do piano contagia). A entrada daquela voz barítono e única do Nick Cave, arrastando as palavras… Só esta introdução já me diz que estou perante um álbum irresistível. Escutem o arranjo das cordas, que acompanha certos momentos da canção. Delicioso! E assim iniciamos a viajem por este disco sublime. * * * * *
2) And No More Shall We Part – Como é possível existir uma canção tão simples e tão bonita?! De certeza que é uma das mais belíssimas baladas do Nick Cave, tanto musicalmente como liricamente. Eu adoro-a! Não tenho palavras para a descrever. Esta canção merece todo o silêncio e respeito. Já perdi a conta às inúmeras vezes que a ouvi e ouço. É um hino. A obra-prima deste disco! “(…) Lord, stay by me/Don't go down/I will never be free/If I'm not free now//Lord, stay by me/Don't go down/I never was free/What are you talking about?” * * * * *
3) Hallelujah – Sublime! O violino entra sozinho. O baixo passado uns compassos. Seguem-se o piano e a bateria e por fim a guitarra e as cordas. Mais outra introdução de arrepiar. E assim se inicia mais uma canção. Chegamos ao refrão e depois de uma vez ouvido, iremos sempre cantá-lo. “Hallelujah Hallelujah…” O final é sublime – a voz do Nick Cave vai desaparecendo e em contraponto aparece um pequeno coral de vozes femininas. * * * * *
4) Love Letter – Um arranjo de piano estupendo. Uma letra igualmente estupenda. A voz chorosa e rouca do Nick Cave contagia de novo. E está feita a canção mais bela sobre uma carta de amor. * * * * *
5) Fifteen Feet Of Pure White Snow – Outro refrão urgente, que uma vez ouvido, todos os dias cantado! “… Raise your hands up to the sky/ Oh my Lord Oh my Lord/ Save Yourself! Help Yourself!”. Sintam o poder e o espírito único e singular desta canção. Outra obra-prima. * * * * *
6) God Is In The House – E sem poder respirar durante um único segundo, estou perante uma balada arrebatadora. Uma canção lúcida e inteligente sobre os dias actuais. Cuidado com o solo do violino – são só oito compassos – mas oito irresistíveis e viciantes compassos! * * * * *
7) Oh My Lord – Belíssima. Urgente. Talvez a canção mais agitada deste álbum, aproximando-se mais de outros discos do Nick Cave. No entanto, não deixa de ser, certamente, um dos pontos mais altos na qualidade do Nick Cave. A única coisa que posso dizer é que se trata de uma canção arrepiante e avassaladora. “…Oh Lord Oh my Lord/Oh Lord/How have I offended thee?/Wrap your tender arms around me/Oh Lord Oh Lord/Oh My Lord…” * * * * *
8) Sweetheart Come – finalmente consigo respirar um pouco. Passadas sete canções de cortar a respiração a qualquer alma e coração mais sensíveis, posso descansar e relaxadamente ouvir o resto do disco, usufruindo das letras calmas e únicas do não menos único Nick Cave. É o caso da Sweetheart Come. Um ritmo bem mais calmo, a puxar para o jazz e uma letra sublime. * * *
As três últimas canções são igualmente irresistíveis mas não dou mais de 3 estrelas. E ainda bem, porque depois de 7, 8 canções sem puder respirar um só segundo, é necessário abrandar o ritmo, limpar o suor e gozar as restantes baladas calmamente.
…Babe
It seems so long
Since you've been gone away
And I
Just got to say
That it grows darker with the day…
Concordo plenamente... "No More Shall We Part" é, de facto, sublime.
Afixado por: Rute em fevereiro 24, 2004 06:04 PMConcordo...
Afixado por: Vanessa em fevereiro 24, 2004 08:05 PMDaqui a minha favorita: Love Letter... de sempre, Loom Of The Land.
1 abraço
Afixado por: Ri.Ma. em fevereiro 25, 2004 04:43 PMNick Cave tem discos sublimes. Não há dúvida! Esse é só um deles... Q felicidade! :)
Afixado por: sandra - becksfan em fevereiro 26, 2004 06:11 PM Como eu o compreendo, meu caro. Oiço e venero Nick cave desde 1987 e, de facto, o seu 11º álbum com os B. Seeds abalou-me. Passei meses a ouvi-lo diariamente e só depois voltei a ouvir os outros. Hoje continuo a ouvi-lo diariamente, tanto em casa como no carro. É uma espécie de 'addiction'.
Adorei o concerto de 1998 e este último foi avassalador. Nunca pensei ouvir 'The Mercy Seat' como ouvi no CCB: uma versão bem diferente da que ouvi em '98 no campo de treinos das Antas. 'West Country Girl' surpreendeu-me de igual modo.
Vou beber um copo de vinho tinto à sua saúde.